3.9.09
Por que dizem que Adriana Calcanhotto muda tanto
Adriana Calcanhotto. Optamos por investigar a produção discursiva desta cancionista por percebermos com bastante evidência a realização de um trabalho original, ainda que com suas bases fincadas na ideologia tropicalista; como se não bastasse tal evidência, sua obra vem adquirindo um grau de excelência que a legitima como uma das mais importantes integrantes dos cancionistas de sua geração. Trata-se de uma das cantoras e compositoras da atualidade que mais têm recebido destaque por parte da crítica. Ganhadora de vários prêmios (revelação do ano, melhor canção, melhor cantora), Adriana Calcanhotto é consagrada como uma das artistas mais representativas do pop atual. Esse seu respaldo no meio artístico também é confirmado pelo fato de ela compor canções para destacados intérpretes como Verônica Sabino, Belô Veloso, Vânia Bastos, Simone, Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Gal Costa, Maria Bethânia, Paulo Ricardo, Los Hermanos. Também ouvimos suas canções fazendo parte de trilhas sonoras de filmes (canção “Tema de Alice”, de Péricles Cavalcanti, no filme “Mil e uma”, de Susana Moraes; canção “Dona de castelo”, de Jards Macalé e Waly Salomão no filme “Doces poderes”, de Lúcia Murat) e novelas brasileiras (“Renascer”, “Suave Veneno”, “O fim do mundo”, “Torre de Babel”, “Mulheres apaixonadas”). Além disso, Calcanhotto compõe canções em parcerias com letristas consagrados, como Antônio Cícero e Wally Salomão, gravando canções com Dorival Caymmi, Waly Salomão, Pedro Luís e A Parede, Hermeto Pascoal, Los Hermanos. Através de seus discos, ela promove uma interação com as artes plásticas, como a escultura (Hélio Oiticica), a pintura (Iberê Camargo, Frida Kahlo), o cinema (Joaquim Pedro de Andrade), a literatura (Carlos Drummond de Andrade, Mário de Sá-Carneiro), etc. Também participou de disco homenageando Dorival Caymmi, fez shows com a participação de Caetano Veloso, participou de outros, como o de Maria Bethânia, e o em homenagem ao seu conterrâneo Lupicínio Rodrigues; participou de um songbook com canções de Chico Buarque. Produtora de discos, além de produzir alguns dos seus, produziu um da cantora Belô Veloso e, no mais recente trabalho de Francis Hime, colocou letra numa das músicas dele e produziu esse disco. Musicou um poema de Vinícius de Moraes, que se transformou em livro (“O poeta aprendiz”) ilustrado pela artista; e fez um livro reunindo algumas letras de suas canções (“Algumas letras”).



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